quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Mojitos de nectarina e segurelha # Nectarine and savory mojitos




Dizem-me que Agosto está aí, já ao virar da esquina. É mesmo? Esta coisa do tempo passar cada vez mais rápido vira-me do avesso. Mas no embalo deste Verão tímido tudo lá vai encaixando nos devidos lugares. O trabalho fotográfico tem sido uma constante, com a satisfação inerente a quem faz o que gosta  de paixão e o cansaço intrínseco de fazê-lo sem delegar uma parte que seja a terceiros. Para já ainda sigo em modo "One woman show", a resistir bravamente à tomada de decisão de procurar uma assistente, vamos ver até quando! E foi precisamente em trabalho que no início da semana passada percorri Trás os Montes durante três dias, a  fotografar para um projeto recém nascido que ainda vai levar meses até ser apresentado ao mundo. Mas cada coisa a seu tempo...

Muitas vezes perguntam-me o que é exatamente esta coisa de ser fotógrafa de comida e food stylist. Esta coisa que vai muito além do conhecimento técnico por trás de cada click. Que tem muito de trabalho físico, de sentido estético e mesmo de arte plástica. Quando respondo a reação é unânime e a pergunta sai pronta, disparada por entre ondas de espanto. "Cozinhar, estilizar e fotografar? E fazes isso tudo sozinha?..." Yep! E não nos esqueçamos dos prazos a cumprir,  das receitas a planear, das compras a fazer, das bagunças a arrumar.  Mas adoro cada pedacinho de trabalho árduo. E embora goste imenso de fotografar qualquer tipo de objeto, é a soma destes três ofícios que realmente me espicaça e dilata a imaginação. Também me perguntam muito se como tudo o que fotografo, mas isso é outra história :)

Entretanto e embora por vezes não pareça, o Verão está mesmo aqui e trabalhar entre casa e o estúdio com um jardim pelo meio,  tende a pedir fins de tarde com um copo de algo refrescante na mão e se possível com um coice de algo mais forte, digamos alcoól. Esta é a história básica destes mojitos. Juntou-se a fruta do momento cá em casa - nectarina - com segurelha do jardim (parece-me que por estes dias ponho segurelha em quase tudo o que se cozinha por aqui) lima e rum branco, um pouco de açúcar e muito gelo e foi só começar a abrandar o ritmo, por momentos fiz-me senhora do tempo e deixei-me ficar assim...
Até que tudo começou de novo.



In English
They tell me that August is right there, just around the corner. Really? This thing of time going by faster and faster turns me inside out. But on the swing of this shy Summer, everything ends up fitting into place. The photographic work has been a constant with the inherent satisfaction in who does what one likes with passion and the intrinsic tiredness of doing it without delegating a part of any kind to third parties. For now I´m still in "one woman show" mode, bravely resisting the decision making of looking for an assistant, let´s see for how long! And it was precisely work that led me to Trás os Montes for three days last week, to shoot for a new born project that will still take months to be presented to the world. But everything at it´s due time...

People often ask me what is this thing of being a food photographer and food stylist. This thing that goes far beyond the technical knowledge behind every click. That has a lot of physical work, aesthetic sence and even of plastic arts. When I answer the reaction is unanimous and the question is out ready and quick, shot through waves of astonishment. "Cooking, styling and photographing? And you do it all by yourself?" Yep! And let us not forget the deadlines to meet, the recipes to choose, the shopping to do, the mess to clean up. But I enjoy every bit of hard work. And although I love to shoot any type of object, is the sum of these three crafts that really goad me and dilates my imagination. People also ask me a lot if I eat everything I photograph, but that´s another story :)

However and although sometimes it doesn´t look like so, Summer is really here and working between home and the studio with a garden in the middle, tends to ask for late afternoons with a glass of something refreshing in hand, if possible with a kick of something stronger, like alchool. This is the basic story of these mojitos. Joined the fruit of the moment here at home - nectarines - with savory from the garden (It looks like I put savory in almost everything I cook these days) lime and white rum, a little bit of sugar, and lots of ice and then I just started to unwind, I made myself the owner of the time and let me be so...
Until it all started once again.








Ingredientes: 3 mojitos
300 g de nectarina sem casca ou caroço, cortada em pedaços
1 dl de água
3 gomos de lima cortados ao meio
3 dl de rum branco
3 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto)
36 folhinhas de segurelha
Gelo (picado ou em cubos)

Preparação: 
*Coloque as 300 g de nectarina e 1 dl de água num liquidificador e triture até obter uma polpa.
*Em cada copo coloque 1 gomo de lima cortado ao meio, 1 colher de sopa de açúcar (ou mais se preferir) e 12 folhas de segurelha, esmague estes ingredientes em conjunto até a lima libertar o sumo e a fragrância da casca e a segurelha libertar o seu sabor, eu uso o pistilo do meu almofariz. Não coe a misture, deixe como está.
*Junte depois 1,2 dl de polpa de nectarina, 1 dl de rum, mexa e complete com gelo até cima.
* Beba, numa tarde ou noite quente de Verão :)



Ingredients: makes 3 mojitos
300 g of nectarine peeled and cut into pieces
100 ml water
3 quarters of a lime cut in half
100 ml white rum
3 tbs caster sugar
36 savory leaves
Crushed ice, or ice cubes

Preparation:
*Put the pieces of nectarine and the 100 ml of water inside a blender and blitz into a pulp.
*In each glass put 1 slice of lime cut in half, 12 savory leaves and 1 tbs of sugar (more if you prefer), crush these ingredients together until the lime releases its juices and the fragrance of the peel and the savory releases its flavor, I use a pestel for this.
*Add 120 ml of nectarine pulp, 100 ml of white rum, mix and complete with ice to the top.
*Drink, on a hot Summer night or afternoon :)









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segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Salada de grão com pesto de nozes e hortelã # Chickpea salad with walnuts and mint pesto





A certa altura, há algum tempo, algo se rompeu entre mim e o meu pedaço de terra à beira mar plantado. Estes escassos metros quadrados de terra que num certo ano mítico geraram, para além de qualquer expectativa,  trinta e duas belas abóboras. As razões foram muitas, todas minhas, pessoais e intransmissiveis. Trabalhos intensos, projetos emocionantes que deram os primeiros passos para a materialização. Tudo coisas boas, eu sei...  Não o premeditei assim mas a verdade é que a certa altura eu deixei de ouvir a linguagem muda da terra. Afastei-me da frescura e do perfume das ervas, ensurdeci para o canto matinal dos pássaros e o zumbir alegre das abelhas. Deixei de fazer planos paisagisticos, sementeiras e plantios e sem amuar com a minha rejeição, a natureza sábia, seguiu o seu caminho mas sem desistir de mim, com a certeza de que a constância não é uma constante da vida. E então aos poucos algo se foi transformando.  Lufadas de ar fresco, flashes de luz e reflexos de cor levaram-me de volta a um dos meus universos particulares mais estimados e eu voltei a querer mergulhar as mãos na terra macia e a sentir os pés a quererem levantar-me do chão só de sentir na brisa o perfume do jasmim e da hortelã.
Por estes dias o meu jardim é uma alegre mistura de muitas cores e de muitos cheiros. Ervas aromáticas, ervas medicinais, rosas e outras flores e é a minha mais imediata fonte de inspiração, e não tenho como ignorá-lo, a mesma inspiração que deu origem a este pesto fresco e aromático, que me fez apetecer uma salada de grão com uma boa pitada de verde.



In English
At one point some time ago, something broke between me and my piece of land planted by the sea. These few square meters of land that in a certain mythic year generated, beyond any expectation, thirty two beautiful pumpkins. The reasons were many, all mine, personal and not transferable. Intense works, exciting projects that took the first steps to materialization. All good things, I know... I did not  premeditated it but the truth is that at some point I stopped listening to the mute language of the earth. I turned away from the freshness and perfume of the herbs, I became deaf to the early morning singing of the birds and the cheerful hum of the bees. I stopped making landscaped plans, sowings and plantings and without sulking with my rejection, wise nature went on it´s way but without giving up on me, knowing with certainty that constancy is not a constant of life. Then, gradually, a transformation occurred. Gusts of fresh air, light flashes and color reflections took me back to one of my most cherished privat universes and once more I felt the need to plunge my hands in the soft land and to feel my feet wanting to lift me up in the air everytime I felt the fragrance of  the jasmine and the mint in the brise.
These days my garden is a joyful blend of many colors and many scents. Aromatic and medicinal herbs, roses and other flowers and is my most immediate source of inspiration, the same inspiration that led me to this fresh and aromatic pesto, that made me crave for a chcikpea salad with a good dash of green.









Ingredientes: 4 pessoas
500 g de grão seco previamente demolhado (pode usar de lata se preferir)
2 pepinos médios cortados em fatias longitudinais, finas
Folhas de espinafre frescas a gosto
Azeitonas verdes descaroçadas a gosto
Nozes
Pesto de nozes e hortelã:
60 g de folhas de hortelã
60 g de nozes partidas em pedaços pequenos
2 dentes de alho
100 ml de azeite de boa qualidade
50 g de queijo parmesão ralado na hora

Preparação:
*Coza o grão de bico até ficar al dente, ou seja cozido mas sem se desfazer, cerca de 45 minutos, dependendo da qualidade do grão, convém vigiar e junte sal apenas no final da cozedura para os grãos não endurecerem.
*Deixe o grão arrefecer até ficar à temperatura ambiente.
*Faça o pesto pisando as nozes com os alhos e a hortelã num almofariz, pode fazê-lo num triturador mas o sabor é melhor quando feito num almofariz , vá juntando o azeite aos poucos até obter uma pasta verde, junte por fim o parmesão e misture bem.
*Envolva o grão no pesto, use a quantidade que achar conveniente. Junte por fim o pepino, as folhas de espinafres e as azeitonas e mexa. Junte mais pesto se achar necessário.
*Sirva à temperatura ambiente, com algumas nozes e pequenas folhas de hortelã.


Ingredients: serves 4
500 g dried chickpeas previously soaked in cold water (you can use canned chickpeas, although the flavor is not the same)
2 medium cucumbers cut into thin stripes
Spinach leaves to taste
Green olives pitted to taste
Walnuts
Walnuts and mint pesto:
60 g walnuts cut into small pieces
60 g fresh mint leaves
2 garlic cloves
100 ml good quality olive oil
50 g of freshly grated parmesan


Preparation:
*Cook the chickpeas until al dente, which means tender but not mushy, about 45 minutes depending on the quality of the chickpeas, keep a close watch and season with salt only at the end of the cooking so the pulses remain soft.
*Drain and let the chickpeas cool to room temperature.
*Using a pestel and mortar make a paste with the walnuts, mint leaves and garlic, add the olive oil and mix, finally stir in the parmesan.
*Mix the cooked chickpeas with some of the pesto, add the cucumbers, spinach leaves and olives, add more pesto if you think it needs it.
*Serve at room temperature, with some walnuts and small mint leaves and a drizzle of olive oil.





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segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Pequeno almoço de Verão # Midsummer breakfast




É ao sentir o perfume marcado das estevas que eu sei que estou de regresso ao Sul. As casas muito brancas, juntas e empinadas no cimo do monte e mesmo em frente o azul do céu e do mar que se fundem num só tom e a areia macia e branca que piso na calmaria de meados de Junho. Se o meu Norte é o Gerês, então o meu Sul é Odeceixe.
Decidimos que este ano estaríamos todos juntos em Odeceixe para celebrar o solstício de Verão, uma data que é muito especial para nós. E assim fizemos...

Na volta a casa apanhei alguns quilos de ameixas, com elas renovei o stock de doce tradicional e fiz esta compota rápida com limonete do jardim.  O toque perfeito para umas panquecas fofas e húmidas de coco e requeijão, para amenizar as saudades que trouxemos de outras paragens.


In English
Is by smelling the strong perfume of the rockroses that I know that I´m back to the south. White houses so close together, perched on the hill and right in front of it, the blue of the sky and of the sea merged into one single tone and the soft, white sand that I step in, in the lull of mid June. If my North is Gerês than my South is Odeceixe.
We decided that this year we would be all together in Odeceixe to celebrate the Summer solstice, a very special date for us. And so we did...

Back home I picked a few pounds of plums, with them I renewed the stock of traditional jam and I also made this quick compote with verbena from the garden. The perfect touch for these fluffy and moist coconut and cottage cheese pancakes, just to ease the fact that we already miss the south so much.





























Ingredientes: 4 panquecas grandes
200 g de farinha
1 dl de leite
1 requeijão desfeito (200 g)
3 colheres de sopa de coco ralado
3 ovos
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato
1 colher de chá de açúcar
1 pitada de sal
Para a compota rápida de ameixas e limonete:
500 g de ameixas vermelhas
200 g de açúcar
1 dl de água
7 folhas de limonete
1 colher de sopa de amido de milho (maizena) dissolvida num pouco de água fria

Preparação:
*Comece por preparar a compota rápida de ameixas. Corte as ameixas ao meio e retire-lhes o caroço.
*Leve o açúcar com a água ao lume e assim que este dissolver junte-lhe as ameixas e o limonete. Ferva por 5 minutos e junte o amido de milho dissolvido em água, aos poucos até que a compota engrosse um pouco, provavelmente não vai precisar de usar o amido todo. Tire do lume e reserve.
*Agora as panquecas. Separe as gemas das claras. Numa taça misture as gemas com os restantes ingredientes e mexa. Bata as claras em castelo e envolva-as na massa levemente.
*Aqueça uma sertã de tamanho médio, anti aderente, assim que estiver bem quente coloque uma concha de sopa bem cheia e espalhe por toda a sertã. Assim que se formarem pequenas bolhas na superfície vire a panqueca e cozinhe por 2 ou 3 minutos. Faça o mesmo para as restantes panquecas.
*Sirva as panquecas com a compota de ameixas e decore com umas folhinhas de limonete.





Ingredients: 4 big pancakes
200g flour
100 ml milk
200 g of mashed cottage cheese
3 tbs dry shredded coconut
3 eggs
1 tsp baking powder
1/2 tsp baking soda
1 tsp sugar
1 pinch of salt
For the quick and verbena plum compote:
500 g red plums
200 g sugar
100 ml water
7 verbena leaves
1 tbsp of corn starch dissolved in a bit of cold water

Preparation:
*Start by making the plum compote. Cut the plums in half and discard the pits. Take the sugar and water to the heat, in a heavy bottomed pan and boil until the sugar dissolves. Add the plums and cook for 5 minutes, stir in the corn starch, bit by bit, until the compote thickens, you will probably not need to use all the corn starch. Remove from the heat and reserve.
*Now the pancakes. Separate the yolks from the whites. In a big bowl mix the yolks with the remaining ingredients. Beat the egg whites until stiff and fold them into the batter.
*Heat a medium non stick frying pan and pour a ladle spoon full of batter, as soon as small bubbles apear at the surface, flip the pancake and cook for 2 or 3 more minutes, remove from the pan and put on a plate. Do the same with the remaining batter.
*Serve the pancakes with the plum and verbena compote.






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